Entrevista
“Nós só temos a ganhar com o esporte”
José Gonçalves Ramos é auxiliar de serviços da biblioteca da Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG). Há mais de 30 anos, o matogrossense pratica basquete em cadeira de rodas. Desde que se mudou para a capital mineira, participa da equipe da entidade assistencial União dos Paraplégicos de Belo Horizonte (Unipabe). Em entrevista à ESP, o funcionário fala sobre a importância do esporte em sua vida.
1- Como começou sua aproximação com o esporte?
Minha participação no basquete em cadeira de rodas começou há mais de 30 anos, no Rio de Janeiro. Conheci o esporte através da associação Clube do Otimismo, uma das pioneiras no basquete em cadeira de rodas no Brasil. Hoje, ela não existe mais por descuido das autoridades, da administração; por falta de uma pessoa que tivesse interesse e capacidade para gerir e movimentar esse esporte, que é um benefício muito grande para todas as pessoas que são portadoras de deficiência física. Esse foi o momento em que me apaixonei e comecei a me dedicar. Eu tenho participações tanto no basquete, quanto no atletismo, natação e em várias outras modalidades que pratiquei por vários anos da minha vida. Devido à minha mudança para Belo Horizonte e pelo pouco incentivo que encontrei para praticar o esporte na cidade, cheguei a parar por algum tempo.
2- O que o esporte representa para o deficiente físico?
Se o exercício físico é tão importante para uma pessoa que anda normal, para o deficiente físico as atividades trazem benefícios incalculáveis. Só nós, que praticamos o esporte, é que sabemos a importância que ele trás para a nossa vida tanto no meio social, de integração e da saúde. Se o Governo tivesse um pouco mais de cuidado e quisesse investir pesado nesse sentido, teria uma economia muito grande. Já foi comprovado, através de pesquisas, que o tratamento com as pessoas que praticam esportes tem melhores resultados em menos tempo. O indivíduo que pratica esportes deixa de estar constantemente no hospital por problemas de órgãos. Todos os deficientes físicos têm problemas nos órgãos porque o sistema de vida que nós levamos acaba comprometendo isso. A atividade física elimina nossos problemas. O praticante de esportes vive mais. Tem pessoas que eu conheço que já chegaram aos 60 anos, ultrapassando a média de vida de um deficiente físico que é de 50 anos. O esporte só tem trazido para o deficiente qualidade, mais tempo de vida, menos estresse.
3- Qual o principal benefício que o esporte trouxe para sua vida?
Para mim, é difícil enumerar os benefícios, porque são muitos. O principal é a saúde. O essencial para toda pessoa. Eu acho que todo mundo procura ter uma melhor qualidade de vida e a melhor qualidade de vida para o deficiente físico está no esporte. Ele tira o estresse, o cansaço e dá mais animação. No meu caso, dependo exclusivamente dos braços para me locomover. O exercício me trás resistência, fortalecimento dos músculos.
4- Como são os treinamentos?
Nós treinamos no Centro de Referência Esportiva para a Pessoa Portadora de Deficiência, um espaço reformulado pela Prefeitura e que faz parte do Programa Superar. Nós, agora, devemos praticar de duas a três vezes por semana porque iremos participar do campeonato da 3ª divisão de basquete em cadeira de rodas que vai ser realizado, em outubro, no Ceará. Nossa equipe já está classificada. Devemos ajudar a divulgar a prática de esportes para deficientes, pois nós temos qualidade, técnica. Pessoas andantes que vão às olimpíadas às vezes trazem duas, cinco medalhas de ouro. Os paraolímpicos vão e trazem 15, 20 medalhas de outro. E mesmo assim, ainda faltam investimentos.
5- O que a ESP-MG representa para você?
A ESP é um órgão do governo que tem beneficiado várias pessoas. A qualidade que leva para os profissionais da saúde é super importante. Eu acho que é um investimento de alto valor. O profissional da área de saúde tem que ser bem preparado para atender com qualidade, podendo salvar muitas vidas. A ESP é também um exemplo para outros estados. Eu gosto de trabalhar aqui. Fui muito bem recebido e fui muito bem tratado aqui desde quando cheguei.
Autora: Natália Meroto
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