“Não tinha dimensão das proporções que este seminário ganharia. Ele está surpreendendo pela diversidade e riqueza das discussões com a possibilidade de capilarizar em rede as discussões sobre formação em saúde pública. Um grande movimento de valorização e fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) que se inicia e que, certamente, vai continuar”. Essa foi a percepção da Coordenadora da Secretaria Executiva da Rede Brasileira de Escolas de Saúde Pública (Redescola), Rosa Souza, no primeiro do Seminário Regional de Formação em Saúde Pública, realizado pela Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ES-MG), nos dias 22 e 23 de junho, em Belo Horizonte/MG.

O encontro desses diferentes atores e instituições de formação em saúde pública promoveu relevantes debates, como a desvalorização do trabalhador técnico de saúde e o ambiente antagônico que isto causa entre trabalhadores de nível técnico e nível superior.

Rosa Souza (Redescola) 

Para Carlos Maurício Barreto, vice-diretor da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), as principais provocações foram a respeito das possibilidades de criação de um trabalho em rede que garanta, em primeiro lugar, uma associabilidade coletiva e ampla que coloque a saúde e a educação com o uma política pública do direito universal. “É necessária uma interseção entre as diversas atividades que são realizadas pelos diversos grupos que trabalham no interior das políticas públicas e que isso se dê, da forma mais diversificada possível e que assim garanta uma relação com políticas autênticas e afirmativas”, avaliou.

Na já tradicional sala de visitas do Auditório da ESP-MG, além dos trabalhadores da instituição, convidados, palestrantes e mediadores abordaram a “Formação em Saúde Pública: constituição de redes”, com compartilhamento de práticas pedagógicas exitosas dos territórios da Região Sudeste.

Andrey Mozzer, trabalhador da Secretaria de Estado de Saúde do Espírito Santo (SES-ES) há 23 anos, trouxe em sua fala a história de criação do Núcleo de Educação e Formação em Saúde, em 1976 e que ainda hoje, o trabalhador capixaba almeja a criação da Escola de Saúde Pública do Estado do Espírito Santo. “Esse compartilhamento de experiências está na base da educação permanente em saúde. É importante saber o que determinada escola de saúde vem praticando. Esse primeiro dia de seminário trouxe uma discussão importante “O que é Rede?”. E não tem menos, nem mais importante em uma rede. Cada um traz sua experiência e soma. Um pontapé inicial, que não pode parar”, alegrou-se.

Ainda no primeiro dia de Seminário, Rosa Souza da Redescola, lançou a publicação “Redescola e a Nova Formação e Saúde Pública”, que traz o registro da implementação de cursos de Especialização em Saúde Pública em 10 instituições parceiras da Rede, que formarão 600 novos sanitaristas, em consonância com a realidade de seus respectivos territórios.

Segundo Rosa Souza, o  livro é um produto do trabalho em rede, e só foi possível devido à atuação em rede. "Em fevereiro, deste ano, lançamos uma consulta aos membros do grupo de condução sobre a possibilidade e o interesse de uma publicação que retratasse tudo, a concepção do curso de saúde publica a formação dos novos sanitaristas, e daí essa ideia veio se constituindo pelos eventos que participávamos e no encontro nacional que fizemos", diz.

A ESP-MG participa na publicação com o capítulo “Desafios e potencialidades na formação de sanitaristas na Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais”, produzido pelos trabalhadores Alessandra Faria, Danielle Costa, Elma Monteiro, Lucimar Colen, Rodrigo Machado e Thais Lacerda.

Para Thais Lacerda, trabalhadora da ESP-MG, a integração da Escola nesse processo possibilitou a participação em espaços de debate com atores de diferentes instituições e centros formadores em Saúde Pública. “Esse processo contribuiu para fomentar e fortalecer debates sobre a formação de sanitaristas e a re(construção) do currículo do Curso de Especialização em Saúde Pública ofertado na Escola”, destacou.

A publicação também traz reflexões importantes sobre os processos educativos, como a abordagem sobre as metodologias ativas.

Fotos: Frank Sabino e Jonathan Guimarães (ASCOM/ESP-MG)

Por Leíse Costa (Estagiária de Jornalismo (ASCOM/ESP-MG)