Fabrício Henrique dos Santos Simões* (33), é Enfermeiro, especialista em Gestão e Saúde e em Economia da Saúde e mestre em Saúde Pública. É trabalhador efetivo (agora licenciado) da Escola de Saúde Pública de Minas Gerais (ESP-MG), desde 2012. No início desse ano, assumiu a Secretaria Municipal de Saúde de Pedro Leopoldo, região metropolitana de Belo Horizonte (MG). Conversamos com ele sobre os desafios à frente do Sistema Único de Saúde (SUS) no município. Confira!


Como está sendo esse desafio?

O município é o local onde se executam as ações de saúde e onde se está mais próximo da população, o que torna mais desafiador o exercício da função. Por outro lado, é uma experiência única e enriquecedora que nos traz uma perspectiva mais próxima da realidade e da necessidade de saúde das pessoas.

Quais foram suas primeiras impressões ao assumir a Secretaria?

O momento inicial é sempre de diagnóstico, porém a tomada de decisão em saúde não pode esperar, é o que chamamos de trocar o “pneu do carro com o carro em movimento”. É outro desafio, uma vez que saúde se faz com recursos materiais e principalmente recursos humanos e nesse momento os municípios não dispõem de orçamento e financeiro para tal. Mas é importante dizer que são nesses momentos que surgem as oportunidades de avaliação e reestruturação do sistema de saúde pública local e é o que temos feito nesse início de gestão.

Ainda é cedo para um diagnóstico, mas quais os principais desafios à frente da Secretaria de Saúde de Pedro Leopoldo?

O município tem 63 mil habitantes e conta com uma boa estrutura de saúde, com vários equipamentos desde o nível primário até o hospitalar. Os principais desafios atualmente são: estruturar uma rede de atenção à saúde que integre os níveis de atenção e as linhas de cuidado na execução das ações e serviços de saúde; reestruturar a assistência farmacêutica desde a gestão de estoque até a farmácia clínica, realizar ações de saúde com déficit importante de recursos humanos em um município que está próximo de atingir o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal; falta de recursos próprios para novos investimentos e horizonte incerto em relação aos repasses estadual e federal.

Quais as prioridades para o município neste primeiro ano?

Considero que conhecer as reais necessidades de saúde da população e oferecer uma adequada e sustentável rede de serviços para a população; tornar a atenção básica resolutiva, reduzindo a dependência da média e alta complexidade. Assim como também organizar por critérios clínicos e reduzir as filas de espera da média alta complexidade com base nas reais necessidades dos cidadãos.

E o Controle Social no SUS em Pedro Leopoldo?

Também é uma das prioridades reestruturar o Conselho Municipal de Saúde, com objetivo de ampliar a participação e o controle social e reavaliar todos os contratos e convênios do município, para reduzir as despesas e adequá-las à realidade financeira.

*Na ESP-MG, também foi docente das especializações em Comunicação e Saúde, Direito Sanitário e Saúde Pública.

Por Leíse Costa (Estagiária de Jornalismo ASCOM/ESP-MG)