A partir da sua formação em Ciências Biológicas e o trabalho com pesquisas em saúde pública, a trabalhadora da Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG), Ana Flávia Quintão Fonseca, se interessou pelo estudo das mudanças climáticas na perspectiva da saúde. A pesquisadora concluiu na última semana seu doutorado em Saúde Coletiva, iniciado em 2013, no Centro de Pesquisas René Rachou (Fiocruz Minas) com o tema da vulnerabilidade humana às mudanças climáticas

Acesse aqui o artigo "Social, Environmental and Health Vulnerability to Climate Change: The case of the municipalities of Minas Gerais, Brazil"

Segundo Ana, seu estudo quantitativo, teve uma extensa coleta de dados de saúde, sociais e ambientais, dos 853 municípios de Minas Gerais, em que foi elaborado um indicador agregado de vulnerabilidade humana às mudanças do clima. “Todos os dados foram obtidos a partir de fontes oficiais governamentais. A experiência foi muito enriquecedora, principalmente por ter trabalhado com informações acerca das projeções climáticas para Minas Gerais”, conta.

Trajetória

Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a pesquisadora que já foi professora da rede pública estadual de educação, ingressou na Escola em 2007 e na Superintendência de Pesquisa, sentiu a necessidade de unir as duas áreas de conhecimento (saúde e ambiente), assim como em sua trajetória acadêmica e profissional. “Em 2008 ingressei no mestrado na Escola de Veterinária da UFMG, onde trabalhei com o tema saúde e ambiente, na perspectiva dos profissionais de saúde pública. Foi uma pesquisa qualitativa, onde entrevistei profissionais agentes de saúde, enfermeiros e médicos de uma regional de saúde de Belo Horizonte sobre sua percepção acerca da relação entre a saúde das pessoas e o ambiente”, conta.

Em 2011, a bióloga iniciou sua participação na pesquisa sobre prevenção e controle da Leishmaniose Tegumentar Americana com o povo indígena Xakriabá, ano que também conheceu seu orientador Ulisses Confalonieri. “No trabalho de campo é perceptível os primeiros e mais importantes efeitos da mudança do clima na saúde das pessoas, de maneira direta ou indireta e as mudanças climáticas são uma realidade e sua discussão se torna urgente em uma escola formadora para o Sistema Único de Saúde (SUS)”, afirma.

Ana Flávia (de amarelo), em São João das Missões, no Norte de Minas, na Terra Indígena Xakriabá 

A pesquisadora cita ainda o Plano Setorial da Saúde de Mitigação e de Adaptação às Mudanças do Clima (PSMC-Saúde 2012-2015), elaborado pelo Ministério da Saúde, que tem o intuito de minimizar as vulnerabilidades da população frente aos impactos da mudança do clima, por meio do estabelecimento de medidas de adaptação e fortalecimento da capacidade de preparação e resposta dos serviços de saúde. “Esse Plano deve ser conhecido e trabalhado por todos nós, profissionais de saúde e o meu próximo desafio é trabalhar com essa temática aqui na Escola, nas ações educativas e de pesquisa”, conclui.

*Bióloga, especialista em Ensino de Ciências, mestre em Epidemiologia e doutora em Saúde Coletiva. Analista em Educação e Pesquisa em Saúde da ESP-MG.

Por Sílvia Amâncio